terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Prepare picolés refrescantes e nutritivos


Praticidade e baixo custo também estão entre as principais características deste preparo caseiro.
Quando o calor começa a ficar mais intenso, opções geladas de bebidas e comidas passam a integrar com mais assiduidade o nosso dia a dia. Para driblar a tentação dos sorvetes e milk-shakes gordurosos, uma ótima opção são os picolés caseiros que, diferente da maioria dos cremosos, não são sinônimo de gordura.

Além de refrescar, é possível deixá-los repletos de vitaminas e nutrientes, afinal as frutas são os ingredientes chave do preparo. Isso também influencia no custo para produção, que pode ser relativamente baixo conforme as frutas escolhidas. Abaixo você confere todas essas características observando duas receitas deliciosas que separamos.

DICA: caso você não possua forminhas específicas para picolé, utilize copinhos de plástico e palitos de madeira.



segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Café da manhã energizante

Escolher estrategicamente os itens que irão compor a primeira refeição do dia pode proporcionar horas mais produtivas. No mês de setembro, no Canal Viver Bem, foi ao ar a seguinte enquete: “Você costuma tomar café da manhã?”. Felizmente 74% dos leitores responderam que o café é parte integrante da sua rotina, outros 11% informaram que não possuem o hábito e 13% só tomam café da manhã quando possuem tempo.


O jejum prolongado pode afetar a capacidade cognitiva e a concentração - ler e raciocinar rapidamente são, normalmente, as atividades que sofrem mais impacto. Em contrapartida, dar uma atençãozinha a mais no que será consumido nas primeiras horas do dia pode resultar em mais produtividade.

Para ser completa, a primeira refeição precisa conter carboidratos - de preferência os integrais (cereais), proteína e cálcio (leite ou derivados), e minerais, vitaminas e fibras (frutas ou suco). Dentro de cada uma dessas categorias há ainda alimentos específicos que são excelentes fontes de energia.

Separamos três exemplos de café da manhã energizantes, inspire-se com as opções e crie o seu.


Fonte: Portal Unimed

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Antes e depois que comprova que dentes bonitos podem mudar todo o seu rosto


1. CELINE DION



2. LINDSAY LOHAN


3. NICOLAS CAGE


4. TOM CRUISE


5. DAVID BECKHAM


6. DAVID BOWIE


7. MORGAN FREEMAN


8. CRISTIANO RONALDO


Fonte: BuzzFeed

Roer a unha pode entortar dentes mesmo depois do aparelho

Mesmo quando o tratamento acaba, é preciso visitar o ortodontista a cada três meses para que ele acompanhe o processo de estabilidade

Não tem nada mais frustrante para um paciente do que, depois de longos anos usando aparelho ortodôntico, ver seus dentes voltarem a ficar tortos. Porém, embora seja possível que isso aconteça, se o tratamento tiver um bom acabamento e a contenção ortodôntica for usada da maneira certa, a chance do sorriso desalinhar será muito pequena. 

A contenção é um dispositivo que ajuda a manter a posição final alcançada após o tratamento com o aparelho convencional. Afinal, não só os dentes, mas os lábios e a gengiva precisam de ajuda para se acostumarem com esse novo e definitivo formato do sorriso. 

Móveis ou fixas
Existem dois tipos de contenções. As fixas, que são quase imperceptíveis e ficam localizadas atrás dos dentes superiores da frente ou dos inferiores de baixo e as móveis, popularmente conhecidas como “aparelhos móveis”. O modelo removível é o melhor quando se trata de higienização, tanto dos dentes como do dispositivo, pois é possível tirá-lo para comer e escovar os dentes. Porém, são mais perigosos, pois possibilitam que o paciente deixe de usá-los antes do tempo ideal, o que pode permitir a movimentação dos dentes.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Aprenda receitas de sucos que deixam os dentes mais brancos

Com ingredientes certos, é possível clarear o sorriso, basta anotar as receitas indicadas pela nutricionista Larissa Pimentel

A procura por tratamentos estéticos que deixam os dentes mais brancos aumenta 15% a cada ano, segundo a Academia Americana de Odontologia Cosmética. Porém, os clareamentos dentais ainda são procedimentos caros, que acabam limitando o número de pacientes que têm acesso a eles. A parte boa é que soluções caseiras podem ajudar a deixar a aparência dos dentes mais branca.

Suco de morango
O suco de morango é um grande aliado de quem quer clarear os dentes, pois a fruta tem ácido málico, que funciona como um agente branqueador natural. “Para algumas pessoas, esse efeito é tão significativo, que há quem prefira amassar o morango e aplicar direto nos dentes”, diz a nutricionista Larissa Pimentel.

Suco de limão

Devido a sua acidez, o limão é uma das frutas mais indicada para restaurar o branco dos dentes. Ele ainda ajuda a reduzir o tártaro e a manter o hálito fresco. “Mas é preciso cuidado, ingerido em excesso, sua acidez pode desmineralizar o esmalte do dente e causar sensibilidade”, diz a cirurgiã-dentista Mayara Petros Lima. Uma dica é juntar o limão e o morango em um único suco. Corte uma caixa de morangos lavados, coloque uma pitada de açúcar e reserve na geladeira por duas horas. Depois bata essa mistura com 1 xícara de chá de água bem gelada e 1 colher de sopa de suco de limão. Adoce com mel. “Vale lembrar que o açúcar é o inimigo número um dos dentes, então não exagere na quantidade”, diz a nutricionista.

Suco de casca de laranja
A mesma teoria de que o ácido cítrico presente no limão ajuda a clarear os dentes, serve para a laranja. “A casca de laranja causa uma discreta limpeza dental que acontece porque muitas pessoas a usam esfregando nos dentes. Esse atrito acaba removendo a sujeira e a placa bacteriana dando a sensação de que o dente ficou mais branco”. Para fazer esse suco, basta descascar cinco laranjas, deixando o mínimo da parte branca e fervê-las em dois litros de água por trinta minutos. Após esse período, coe e deixe esfriar. Ao fim, adoce a gosto com mel. “É mais gostoso tomá-lo gelado”, diz a nutricionista.

Suco de brócolis e espinafre
Os brócolis e o espinafre contêm compostos minerais que formam uma película sobre a superfície dos dentes, o que impede que alimentos com pigmentos capazes de manchá-los (como vinhos, café, chás, condimentos e refrigerantes), se aproximem deles. Por isso, optar por um suco gelado com esses dois ingredientes também pode ajudar a manter seus dentes mais brancos. “Pegue 150g de brócolis, 150g de espinafre, duas maçãs e bata tudo no liquidificador. Às vezes é necessário acrescentar um pouco de água para facilitar o processamento. Depois é só coar e beber”, diz Larissa.

Fonte: Terra

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Do que são feitos os dentes?


A ortodontia é uma especialidade formalmente conhecida como aquela que estuda, diagnostica e trata problemas de crescimento, desenvolvimento e amadurecimento da mordida, face e arcos dentários. Para isso, é preciso conhecer a fundo a anatomia dos dentes, seus nomes e sua composição.

O dente é uma estrutura calcificada, saliente e esbranquiçada que fica implantada nos alvéolos e gengivas dos dois maxilares. Sua principal função é a trituração dos alimentos, preparando-os para o processo de deglutição. Contudo, também auxilia no processo de formação de sons para a fala e dá expressão facial.

A parte visível dos dentes, que fica para fora da gengiva, é chamada coroa. É o formato da coroa que determina a função de cada dente. A raiz é a parte que fica dentro da gengiva, mantendo o dente inserido no osso maxilar. Ela compõe cerca de dois terços do tamanho dentário.

A estrutura dentária é formada por quatro camadas distintas: polpa, esmalte, dentina e cemento. A polpa é um tecido vivo mole situado no centro do dente, onde se encontram o nervo e os vasos sanguíneos. A especialidade ortodôntica responsável pelo tratamento e prevenção de doenças na polpa dental é a endodontia.

O esmalte, por sua vez, é a camada mais externa da superfície dentária. É o tecido mais duro e mineralizado de todo o corpo humano, mas pode sofrer danos caso a boca não seja higienizada corretamente. Já a dentina é a camada dentária que fica situada abaixo do esmalte, considerada o nervo dental. Composta de vários túbulos que levam diretamente à polpa, ela é responsável pela desagradável sensação de sensibilidade dentária quando há desgaste do esmalte.

O cemento, por fim, é uma camada que recobre apenas a raiz. Sua principal função é dar suporte dos dentes, ligando a raiz ao osso alveolar e aos ligamentos periodontais, além de contribuir para alguns processos de reparação dos dentes.

Cada dente é responsável por cumprir uma tarefa específica, e seu formato é adequado para a função que exerce. Os dentes incisivos, por exemplo, são afiados em forma de cinzel (formão) e ficam posicionados na parte frontal da arcada. Sua função é a de cortar os alimentos.

Os caninos, por outro lado, são mais pontiagudos e servem para rasgar os alimentos. Já os pré-molares servem para esmagar os alimentos e têm formato com duas pontas. Os molares são os dentes que ficam mais ao fundo da boca, possuem várias pontas na superfície de mordida e servem para triturar os alimentos.

Fonte: Blog Kamila Godoy

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Deixar de comer glúten ou tomar leite é moda ou necessidade pra você?


Excluir esses itens da alimentação pode trazer benefícios reais para a saúde desde que a pessoa tenha intolerância à proteína presente nos cereais ou à lactose

“Quem pode, pode, quem não pode se sacode” poderia virar “quem pode não quer, quem não pode adoraria.” Enquanto os celíacos estão proibidos de comer alimentos com glúten, parte da população, mesmo podendo, deixa de comer a proteína dos cereais para perder peso. Pesquisadores afirmam que a retirada do glúten, em si, não seria a causa do emagrecimento. A perda de peso, que é real, estaria ligada ao fato de se tirar da alimentação as principais fontes de carboidrato. Alguns nutricionistas pensam diferente. Fato é que parar de comer glúten virou moda, pode desequilibrar a alimentação e isso tem consequências.

Para o nutrólogo Mauro Fisberg, professor da Escola Paulista de Medicina, todo modismo é uma situação transitória baseada ou não em evidências científicas. “E eles são muito comuns quando o assunto é alimentação. “Muita gente segue, muita gente tem resultado e muita gente sofre os efeitos colaterais só depois”, alerta.

Com o leite, que algumas pessoas retiram da alimentação sem orientação de um especialista, a questão é diferente. Segundo o gastroenterologista pediátrico Luciano Amedee Peret Filho, professor do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), enquanto a alergia à proteína do leite de vaca é rara em adultos, embora ocorra em crianças de até 2 anos de idade, a intolerância à lactose, o açúcar do leite, pode atingir de 30% a 40% da população adulta em geral, e de 60% a 70% dos negros. O designer gráfico Rick Cavalcante, de 42, que consumia mais de um litro de leite por dia, descobriu, tardiamente, a intolerância e trocou a bebida por sucos.

Rick sempre tomou muito leite. “Era o dia inteiro. Se tinha um intervalo no trabalho ou dava fome, abria a geladeira para tomar leite, e não água”, conta. Dois anos atrás, a mãe, por orientação médica, passou a tomar leite sem lactose. Ele provou e gostou, principalmente porque se sentia mais leve. Em junho, em um processo de reeducação alimentar com nutricionista, ele fez testes que confirmaram a intolerância. E só quando cortou o alimento é que foi possível perceber os benefícios. As rinites e sinusites, antes comuns, deixaram de fazer parte de sua vida. A digestão facilitada e a sensação de leveza após uma refeição também foram uma novidade. “Hoje, no lugar do leite, faço sucos. Por mais incrível que pareça, achei que seria muito difícil, mas não foi”, comemora.

Para a nutricionista Cíntia Tabaral, doutoranda em ciência dos alimentos e professora substituta da Escola de Enfermagem da UFMG, para os que têm a intolerância à lactose é essencial substituir o alimento. “Quando nascemos, e temos uma alimentação baseada em leite materno, produzimos muita lactase, a enzima responsável por quebrar a molécula da lactose. Mas, com o passar dos anos, algumas pessoas têm uma redução na produção da enzima e quando consomem o leite ele não é digerido, provocando uma fermentação no intestino”, explica a nutricionista. Já no caso do glúten, ela alerta que a substituição dos cereais por frutas, muito comum por quem adere a esse tipo de dieta, não é adequada por serem tipos diferentes de alimento. Mas vai falar isso com quem está emagrecendo.

CELÍACOS
O glúten é uma proteína presente em cereais como trigo, cevada, centeio, aveia e em todos os seus derivados, do pãozinho à cerveja. Segundo o gastroenterologista pediátrico Luciano Amedee Peret Filho, uma fração dessa proteína, a gliadina, é intolerada pelo organismo de algumas pessoas, que podem desenvolver a doença celíaca, uma lesão na parte alta do intestino que diminui a absorção de nutrientes. Em quem tem essa predisposição, as moléculas não digeridas de gliadina, ao entrar em contato com as camadas mais internas da mucosa intestinal, disparam uma reação imunológica no intestino delgado, causadora de processo inflamatório crônico que gera sintomas variados.

Mudança de hábito

Não dá para simplesmente deixar de lado o leite. É importante descobrir se há de fato intolerância e buscar orientação de especialistas para a substituição correta da alimentação

Tirar o leite da alimentação não é para qualquer um. O alimento é a principal fonte de cálcio para o organismo e sua reposição a partir de outras fontes é difícil. A principal preocupação dos especialistas é o motivo dessa mudança na dieta, principalmente aquela feita sem orientação, simplesmente para emagrecer. Por que as pessoas estão parando de beber leite? Por que se sentem melhores com isso, um estímulo a seguir sem ele? Somos os únicos mamíferos a manter o leite na alimentação mesmo depois de adultos. E o leite de outra espécie. Isso é possível porque a espécie humana sofreu uma adaptação para manter os níveis de lactase, a enzima essencial para a digestão do leite.

É preciso diferenciar a intolerância à lactose da alergia à proteína do leite de vaca. A primeira é causada pela incapacidade do organismo de digerir o açúcar do leite devido à deficiência de uma enzima. A segunda é uma reação do sistema imunológico à caseína, principal proteína do leite de vaca. Essa última, segundo a nutricionista Cíntia Tarabal, pode causar alterações no trânsito intestinal, com ou sem diarreia, alergias na pele, coceira e vermelhidão e pode também influenciar no processo respiratório. Mas a prevalência na população adulta é muito pequena, coisa de 2%. “Muita gente relata esses sintomas, mas nem sempre é alergia”, explica.

Para a especialista, a não ser que o indivíduo tenha um desses dois quadros, não há benefícios em retirar o leite da alimentação. O gastroenterologista pediátrico Lucian Amedee Peret Filho não vê grandes problemas em priorizar o leite sem lactose, que tem realmente menos calorias, mas se preocupa com as deficiências de cálcio possíveis com a interrupção ou diminuição do consumo de leite e derivados. “Não tem necessidade”, defende. É muito diferente de quem tem a alergia ou a intolerância, que realmente precisam mudar a alimentação. Mas mesmo para esses casos há recursos. Pessoas com intolerância à lactose, por exemplo, podem consumir a enzima lactase em forma de comprimido ou sachê, o que melhora a qualidade de vida, permitindo o consumo de leite e derivados em algumas ocasiões.

O quadro pode ser identificado por meio do teste de tolerância à lactose, quando o indivíduo passa por uma sobrecarga de lactose, tomando o açúcar do leite misturado à água para observação das reações e dosagem da glicemia. Os sintomas podem variar de leve a intensos, como aumento da produção de gases intestinais, distensão abdominal, diarreia, náuseas e vômitos. Tirando ou diminuindo o consumo de leite, eles melhoram. Pessoas com uma intolerância leve podem tomar, por exemplo, fermentados como o iogurte, porque eles têm 50% menos lactose. “Pode ser que passe mal com leite e não com o iogurte”, explica. E é importante saber: com o passar dos anos a produção da lactase diminui e a dificuldade de digestão do leite, consequentemente, vai crescer.

VEGANOS
A jornalista Patrícia Dutra, de 45 anos, é vegetariana desde 2006 em função de sua compaixão pelos animais. Em 2012, tornou-se vegana, uma filosofia de vida que respeita qualquer ser vivo de forma integral. Não toma leite, só o de soja. Mas ela abandonou o leite de vaca bem antes disso. Há 10 anos, ela interrompeu o consumo em função das crises de sinusite. “Procurei um nutricionista e ele me orientou substituir o leite. Os sintomas melhoraram muito, mas ainda comia queijo e iogurte. Desde que me tornei vegana, entretanto, não tenho mais as crises alérgicas”, conta Patrícia, que é voluntária de uma ONG de proteção animal e vê o veganismo não como uma dieta, e sim como filosofia de vida. “Minha alimentação é uma prioridade hoje”, conta.

Para o nutrólogo Mauro Fisberg, professor do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina e coordenador do Centro de Dificuldades Alimentares do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, o veganismo pode trazer benefícios para prevenir doenças cardiovasculares, embora esteja relacionado a baixos níveis de ferro e ácido fólico. O que preocupa é quem adere à restrição sem qualquer orientação. “Se retirar tudo e não recorrer a suplementos, fica complexo”, alerta. Apesar de ter tirado um importante grupo alimentar do prato, as proteínas, Patrícia fez tudo com acompanhamento e faz exames para acompanhar os níveis de nutrientes. “O cálcio tento repor com o consumo de folhas escuras. A única suplementação que faço é de vitamina B12”, conta.

Alimentação consciente

Dieta balanceada é importante para evitar carências nutricionais e o comprometimento da saúde

"Não realizei exames que confirmassem alguma intolerância, mas, atualmente, consumo leites de amêndoas, castanhas, inhame e iogurtes feitos pelos mesmos. Tomo suplementos e consumo alimentos com cálcio", Glícia Kelly dos Santos, de 42 anos

A modificação na composição corporal da humanidade é uma realidade. O Brasil, por exemplo, deixou de ser um país desnutrido para ser um país com excesso de peso. Para o nutrólogo Mauro Fisberg, é desse cenário que nascem os modismos na alimentação, que, apesar de seguidos por muitos, podem ou não ser adequados. “A busca desenfreada pelo emagrecimento tem feito as pessoas lançarem mão de qualquer processo para isso”, alerta o especialista, que chama a atenção para as restrições de grupos alimentares. “Fomos feitos para comer gordura, proteína e carboidrato em proporções estabelecidas. Toda vez que faço uma restrição estou desbalanceando a dieta e isso tem um custo gigantesco para o metabolismo, que pode ir de carências nutricionais, ganho de peso em efeito rebote e até dificuldade de crescimento”, alerta.

Segundo Mauro Fisberg, que é professor do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina e coordenador do Centro de Dificuldades Alimentares do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, as restrições podem ser de ordem religiosa, filosófica ou por moda. A mais conhecida é a restrição ao consumo de carne dos vegetarianos, ou de qualquer produto animal, caso dos veganos. Mas a que chama a atenção atualmente é a moda de tirar a lactose e o glúten da alimentação mesmo que não se tenha intolerância ou alergia a eles. Do ponto de vista clínico, o ser humano tem uma diminuição, geneticamente determinada, da lactase, impossibilitando a digestão da lactose. A questão é que o homem precisa de fontes de cálcio e de diferentes alimentos para suprir esse nutriente.

O consumo médio da população brasileira é de 600 miligramas (mg) de cálcio por dia, sendo necessários 1000mg. Segundo Fisberg, só com vegetais não se chega aos 500mg. O brasileiro toma pouco leite, um copo diário, em média, quantidade que seria tolerável até por quem tem a intolerância à lactose. Além disso, os derivados do leite têm de três a quatro vezes menos lactose por causa do processo de fermentação e se priorizados poderiam manter os níveis adequados de proteína, cálcio, vitaminas e minerais. “As pessoas acham que o leite e a lactose causa inflamação intestinal, mas quem não tem a intolerância não terá nada disso. Só deve tirar a lactose quem tem a intolerância comprovada por exame”, defende.

POLÊMICA

A questão do glúten é mais polêmica. O trigo é a base da alimentação há milhares de anos e embora alguns estudos mostrem que o cereal dos dias atuais tem maior quantidade de glúten, segundo Fisberg isso não representa um aumento de casos de alergia à proteína, que teve sim, mais diagnósticos, mas por uma evolução dos métodos de investigação. De acordo com o professor, há três situações em que ele deve ser retirado. Quando há diagnóstico da doença celíaca, uma alergia ao glúten que provoca uma resposta do sistema imune ao consumo de qualquer quantidade; quando existe alergia a outros componentes dos cereais; e quando há uma intolerância ao glúten. Esse último, contudo, segundo Fisberg, ainda é assunto polêmico na comunidade científica.

“Um pequeno grupo de investigadores percebeu que alguns pacientes, apesar de não ter alergia ao glúten, ao comer os cereais tinham um aumento da inflamação do intestino, e quando tirava se sentiam melhor. Mas é um trabalho ainda muito contestado, sem evidência cientifica, não há um conjunto de estudos com grupo-controle para confirmar esse quadro. Mas isso chamou a atenção dos entusiasmados e dos nutricionistas funcionais, que tomaram isso como bandeira, já que é uma possibilidade de diminuir o mal-estar de pessoas acima do peso. Elas tiram o glúten e falam que se sentem melhor”, explica Fisberg, segundo o qual a retirada do glúten pode beneficiar alguns, mas não deve ser feita por quem não tem as alergias.

Glícia Kelly dos Santos, de 42 anos, cortou o gluten em janeiro deste ano, após orientação nutricional. Na época, ela estava pesando 128 quilos, tinha um quadro de inflamação, dores no joelho, problemas gastrointestinais, fadiga, azia e cansaço, entre outros problemas por causa do peso e da alimentação incorreta. Na mesmo ocasião retirou o leite, que nunca esteve muito presente em sua alimentação. “Não realizei exames que confirmassem alguma intolerância, mas, atualmente, consumo leites de amêndoas, castanhas, inhame e iogurtes feitos pelos mesmos. Tomo suplementos e consumo alimentos com cálcio”, conta.

Fisicamente, ela se sente outra pessoa. Faz academia, não tem mais problemas nas articulações e nem as dores, que eram quase diárias. Glícia, inclusive, faz os próprios pães, bolos, iogurtes e pães de queijo, priorizando a funcionalidade dos ingredientes. “Estou totalmente adaptada e sem nenhuma vontade de comer alimentos com glúten ou lactose. Hoje, estou mais leve 35 quilos, sem remédios, somente com alimentação consciente, suplementos e esporte. Esse tipo de reeducação alimentar me fornece uma segurança para manter o meu peso quando chegar na meta, pois as restrições foram totalmente substituídas.”

Segundo a nutricionista funcional Ana Paula Fidélis, o glúten pode causar uma superativação do sistema imunológico. Por isso, defende que os sinais do paciente sejam avaliados para se observar se há uma reação tardia a esse tipo de proteína. Essas reações não são como a alergia já conhecida, mas sim sintomas que aparecem depois de dois a quatro dias da ingestão da proteína. “Elas são somatizadas, pois a pessoa consome diariamente e os sintomas ficam presentes e podem evoluir. Mas retirada do glúten deve ser bem orientada, pois não é somente essa proteína que pode causar a inflamação, e sim o consumo excessivo de farinhas brancas, embutidos, adoçantes, produtos industrializados, leite e derivados etc.

A nutricionista explica que a matéria-prima utilizada para a fabricação de produtos sem glúten nem sempre é saudável, mas sim rica em farinhas brancas, como mandioca, arroz, batata, o que pode levar à piora da inflamação e ao ganho de peso. “Não há um malefício çna retirada do glúten a ponto de ter que substituir essa proteína. Ela não tem um valor nutricional importante. O consumo de uma alimentação sem glúten balanceada e nutritiva é relevante para os pacientes que a retiram”, acredita.

Fonte: Jornal O Estado de Minas